Incêndios inéditos no Reino Unido. Primeiro-ministro promete lutar contra alterações climáticas

Incêndios inéditos no Reino Unido. Primeiro-ministro promete lutar contra alterações climáticas

O Reino Unido precisa de enfrentar as alterações climáticas e fazer a transição para energias mais limpas, declarou o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, esta sexta-feira, durante uma visita perto de Birmingham, palco de um grande incêndio florestal alimentado por uma seca histórica na quinta-feira.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Imagem aérea de uma casa e de carros destruídos pelo fogo após um grande incêndio em vegetação rasteira que alastrou a várias casas a 13 de agosto de 2026, em Stourbridge, no dia mais quente do ano. Foto: Temilade Adelaja - Reuters

"Precisamos de enfrentar as alterações climáticas", afirmou. "Não adianta negar a situação em que nos encontramos. Precisamos de a enfrentar", disse o líder trabalhista à margem de uma reunião com os bombeiros em Stourbridge, local do incêndio.

"Nunca vi nada assim na Grã-Bretanha, com casas inteiras destruídas e ainda a fumegar", acrescentou após visitar a cidade, onde três bombeiros ficaram feridos a combater as chamas.

Andy Burnham lembrou que o Reino Unido está "um barril de pólvora" com 37 incêndios "a arder por todo o país". O primeiro-ministro disse convocou uma reunião do Cobra para coordenar a resposta do Governo e que o ministro das Finanças, John Healey, está a trabalhar para fornecer apoio financeiro de emergência.

Burnham acrescentou que queria dar ao corpo de bombeiros "os recursos extra" de que necessita e disse que o governo vai encomendar aviões de combate a incêndios para lidar com futuros incêndios florestais.

O incêndio de mato rasteiro alastrou a habitações, que foram consumidas pelo fogo, apesar dos esfoçros de combate.

No total, 19 casas foram completamente destruídas e 18 danificadas pelo fogo, segundo o chefe dos bombeiros de West Midlands, Simon Tuhill, que descreveu o incêndio como "um dos maiores" que os serviços "já enfrentaram".

O socorro, contudo, demorou a chegar, levando os residentes a enfrentar sozinhos as chamas.

“Estou impressionada com os moradores que se juntaram, arregaçaram as mangas, pegaram nas mangueiras e tentaram conter o fogo enquanto esperavam pela chegada dos bombeiros”, disse a vereadora local trabalhista, Simran Cheema.

Houve um pequeno atraso porque talvez as equipas estivessem a caminho de outros incêndios, mas naquele momento as pessoas simplesmente mobilizaram-se e foi realmente emocionante ver as comunidades a unirem-se para tentar conter o fogo e a oferecer apoio aos afetados", acrescentou.

“Estou muito grata a todos os envolvidos e não tenho palavras para agradecer os vossos esforços heróicos”, concluiu.

Os residentes foram retirados e 54 pessoas receberam tratamento por inalação de fumo, 16 das quais foram hospitalizadas.

As imagens captadas no local atestam a ferocidade do incêndio, mostrando casas reduzidas a ruínas de tijolos carbonizados com telhados desabados. Jardins foram queimados e o chão ficou coberto de destroços fumegantes. Numa das imagens, pode ver-se um homem a fugir de sua casa, carregando apenas uma mala.

Apesar de uma ligeira descida da temperatura em comparação com o dia de ontem, o índice de risco de incêndio continua "muito elevado" na maior parte de Inglaterra e do País de Gales esta sexta-feira, de acordo com a Natural England e o Met Office.

Novas descidas de temperatura e um aumento da probabilidade de chuva farão com que o risco diminua gradualmente no norte de Inglaterra, nas Midlands e em grande parte do País de Gales no início da próxima semana.

No entanto, com as condições a manterem-se predominantemente secas no sul de Inglaterra e com a previsão de ventos mais fortes, o risco continua "muito elevado", com áreas isoladas classificadas como "excepcionais" na segunda e terça-feira.
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